quinta-feira, 22 de novembro de 2012

NON




Terrível palavra é o NON. Não tem direito nem avesso: por qualquer lado que o tomeis, sempre soa e diz o mesmo. Lede-o do princípio para o fim, ou do fim para o princípio, sempre é NON. Quando a vara de Moisés se converteu naquela serpente tão feroz, que fugia dela porque o não mordesse, disse-lhe Deus que a tomasse ao revés, e logo perdeu a figura, a ferocidade e a peçonha. O NON não é assim: por qualquer parte que o tomeis sempre é serpente, sempre morde, sempre fere, sempre leva o veneno consigo. Mata a esperança que é o último remédio que deixou a natureza a todos os males. Não há correctivo que o modere nem arte que o abrande, nem lisonja que o adoce. Por mais que o enfeiteis, um NÃO sempre amarga; por mais que o enfeiteis, sempre é feio; por mais que o doireis, sempre é ferro.

NON, Terrível palavra é o NON

Sobre Vieira






                                                      António Vieira

                                                      O céu estrela  o azul e tem grandeza.

                                                      Este, que teve a fama e a gloria tem,
                                                      Imperador da língua portuguesa,
                                                      Foi-nos um céu

                                                      No imenso espaço seu de meditar,
                                                      Constelado de forma e de visão,
                                                      Surge, prenúncio claro do luar,
                                                      El-Rei D. Sebastião.

                                                      Mas não, não é luar: é luz do etéreo.

                                                      É um dia; e, no céu amplo de desejo,
                                                      A madrugada irreal do Quinto Império
                                                      Doira as margens do Tejo.

                                                      Fernando Pessoa,
Mensagem

Cinema sobre Vieira


Palavra e Utopia (2000)
filme de Manoel de Oliveira 
sobre a vida de Padre António Vieira

Filme completo: 

Edições de Padre António Vieira




Lista das Obras Publicadas por Vieira:


Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: primeyra parte. Dedicada ao Principe, N.S.. Lisboa, Ioam da Costa, 1679, (v.1)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: segunda parte. Dedicada no panegírico da Rainha Santa ao Sereníssimo Nome da Princesa N.S.D. Isabel. Lisboa, Miguel Deslandes, 1682, (v.2)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: terceira parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1683, (v.3)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: quarta parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1685, (v.4)
 
Maria Rosa mystica: excellencias, poderes, e maravilhas do seu rosario, compendiadas em trinta sermoens asceticos, & panegyricos sobre os dous evangelhos desta solennidade novo & antigo; offerecidas a soberana magestade da mesma senhora pelo P. Antonio Vieira, da Companhia de Jesv da Província do Brasil, em comprimento com hum voto feito, & repetido em grandes perigos da vida, de que por sua immensa benignidade, & poderosissima intercessao sempre sahio livre. I parte, Lisboa, Miguel Deslandes, 1686, (v.9)
 
Maria Rosa mystica (...). Lisboa, Impressão Craesbeeckiana, 1687, (v.10)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: Quinta parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1689. (v.5)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: Sexta Parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1690 (v.6)
 
Palavra de Deos empenhada, e desempenhada: empenhada no Sermam das exequias da Rainha N. S. Dona Maria Francisca Isabel de Saboya; desempenhada no Sermam de acçam de graças/ pelo nascimento do Principe D. Joaõ primoge-/nito de SS. Magestades...  Prégou hum, & outro o P. Antonio Vieyra...O primeyro. na Igreja da Misericordia da Bahia, em 11. de Setembro, ... de 1684. O segundo na Cathedral da mesma cidade, em 16. de Dezembro, ... de 1688. Lisboa, na officina de Miguel Deslandes, 1690 (v. 13) (*)

Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: Septima parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1692 (v.7)
 
Xavier dormindo, e Xavier acordado: dormindo, em tres Orações panegyricas no triudo da sua festa, dedicadas aos tres principes que a Rainha Nossa Senhora confessa dever à intercessão do mesmo santo; acordado em doze Sermoens panegyricos, moraes, & Asceticos, os nove da sua novena, o decimo da sua canonização, o undecimo de seu patrocinio, author o Padre Antonio Vieyra da Companhia de Jesu, prègador de Sua Magestade. Oitava parte. Lisboa, Miguel Deslandes, 1694.(v.8)
 
Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: Undecima parte, offerecida à serenissima Rainha da Grã-Bretanha. Lisboa, Miguel Deslandes, 1696.(v. 11)
 
Sermoens do P. Antonio Vieyra da Companhia de Iesv, prégador de Sua Alteza: Parte duodecima dedicada à purissima conceição da Virgem Maria senhora nossa. Lisboa, Miguel Deslandes, 1699. (v.12)
 
Sermoens, e varios discvrsos do Padre Antonio Vieyra da Companhia de Jesu , prégador de sua magestade. tomo XIV obra posthuma dedicada a' purissima conceiçam da Virgem Maria Nossa Senhora. Lisboa: Valentim da costa deslandes, 1710.(*)
 
Sermões varios, e tratados, ainda naõ impressos , do grande padre Antonio Vieyra da Companhia de Jesus; offerecidos a' Magestade Delrey D. Joaõ V. Nosso Senhor, pelo p. André de Barros da Companhia de Jesus. tomo XV. e de Vozes Saudosas tomo II. Lisboa: Manoel da Sylva, 1748 (*)

(*)Os volumes XIV e XV são póstumos e não foram organizados por Vieira, mas pelo jesuíta André de Barros, que contabilizou como volume XIII o Palavra de Deus empenhada.


As obras podem ser consultadas na Biblioteca Nacional Digital em: http://purl.pt/index/geral/aut/PT/21890.html

Música do tempo de Vieira


Gaspar Fernandes (1566-1629): XICOCHI CONETZINTLE-XOCHIPITZAHUAC
Villancico supostamente composto utilizando a língua dos índios

Biografia de Padre António Vieira


Vieira e a educação jesuítica
 entrevista com Alcir Pécora, da UNICAMP 
Cursos Livres da Univesp TV

Sermões






Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. Olhai como estranha isto Santo Agostinho: Homines pravis, praeversisque cupiditatibus facti sunt, sicut pisces invicem se devorantes: «Os homens com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes, que se comem uns aos outros.» Tão alheia cousa é, não só da razão, mas da mesma natureza, que sendo todos criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer! Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens.

Sermão de Santo António aos Peixes, IV